Por Valmir Carlos de Araújo Júnior – Vice-Presidente da FETRACSE
A discussão sobre o papel do Estado na promoção do desenvolvimento social e econômico do Brasil exige responsabilidade, profundidade e compromisso com a realidade do povo brasileiro. Nesse sentido, a Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Estado do Maranhão (FETRACSE) reafirma a importância da manutenção e ampliação da política de valorização do salário mínimo, bem como do fortalecimento dos investimentos em políticas públicas essenciais.
Saúde, educação, assistência social e previdência não são apenas áreas administrativas do Estado — são pilares fundamentais para garantir dignidade, cidadania e qualidade de vida à população. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, marcado por profundas desigualdades regionais, essas políticas cumprem papel estratégico na redução das desigualdades e na construção de uma sociedade mais justa.
O cenário demográfico brasileiro também impõe novos desafios. O aumento significativo da expectativa de vida, aliado à redução das taxas de natalidade, exige um Estado mais presente e preparado para assegurar proteção social, especialmente aos idosos e às populações em situação de vulnerabilidade. Nesse contexto, enfraquecer políticas públicas ou limitar seus investimentos significa comprometer diretamente o futuro social do país.
A FETRACSE observa com preocupação o avanço de discursos que tratam investimentos públicos como meros “gastos”, sobretudo quando se referem à valorização dos servidores públicos e às políticas sociais. Essa visão reduz o papel do Estado e ignora que tais investimentos são, na verdade, motores do desenvolvimento econômico. Quando o salário mínimo cresce, há aumento da renda, fortalecimento do consumo e dinamização da economia, especialmente nos municípios.
Outro aspecto que precisa ser enfrentado com mais transparência é a estrutura do orçamento público. Dados da Auditoria Cidadã da Dívida pública indicam que, em 2025, cerca de 42,24% do orçamento federal — aproximadamente R$ 2,135 trilhões — foram destinados ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública. Ainda assim, o debate público frequentemente concentra-se apenas nas despesas com políticas sociais e com o funcionalismo, deixando de lado uma discussão mais ampla sobre a composição dos gastos públicos.
Recentemente, declarações do ministro Guilherme Boulos trouxeram à tona preocupações relacionadas a propostas econômicas atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro. Entre os pontos debatidos, destaca-se a possibilidade de limitar reajustes de benefícios sociais, salário mínimo e investimentos em áreas como saúde e educação apenas à reposição inflacionária, o que, na prática, pode impedir ganhos reais ao longo do tempo.
É importante compreender que políticas de valorização do salário mínimo e ampliação dos investimentos sociais não devem ser tratadas como entraves fiscais, mas como instrumentos fundamentais para o desenvolvimento econômico e social. São essas políticas que garantem circulação de renda, ampliam o acesso a direitos e contribuem para a redução das desigualdades históricas do país.
A FETRACSE defende a necessidade de um debate equilibrado e responsável sobre as contas públicas, que não se limite à contenção de “despesas” investimentos, mas que também considere a qualidade do gasto público e sua capacidade de transformar a vida das pessoas. Investir em políticas públicas é investir no desenvolvimento do Brasil.
Mais do que números, estamos tratando de pessoas, de famílias e do futuro de uma nação que precisa crescer com justiça social, inclusão e dignidade para todos.


